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Prólogo

Austrália, um país que eu já namorava havia um bom tempo, tornou-se realidade assim que consegui uma proposta de emprego por lá. Sem pensar duas vezes, fiz minhas malas, me despedi de minha família que ficou no Brasil e peguei o avião, que demorou mais de 30 horas contando as escalas que precisei fazer, mas valeu a pena.

Eu sei que é difícil ficar longe de quem se ama e abandonar tudo que construí para criar uma nova vida do outro lado do mundo, onde os costumes com os quais você já está acostumada em seu país natal são diferentes. Mas era a oportunidade perfeita e eu estava pronta para seguir em frente. Tudo era novo pra mim e precisei me adaptar ao país. Não foi difícil. Graças a Deus, consegui me colocar nos trilhos e começar uma vida tranquila.

Porém, surpresas ocorrem em nossa vida, principalmente quando recomeçamos uma.

Um dia minha vida mudou completamente.

No corredor da biblioteca do estado de Nova Gales do Sul, conheci Adrian Miller. Cabelos castanhos escuros, pele levemente bronzeada, um corpo esbelto e com braços um pouco musculosos, como se ele fizesse algum tipo de esporte para mantê-los. Mas o melhor eram seus olhos: tão negros como uma obsidiana, que eram capazes de me hipnotizar. Ele com certeza fazia meu tipo!

Adrian estava lendo um dos meus livros favoritos “A Garota Exemplar”, de Gillian Flynn. Mas uma coisa eu aprendi: eu não poderia apenas olhá-lo, tinha que chamar a atenção dele – ele poderia ser bem mais que um crush.

— É um livro muito bom, ótima escolha – puxei papo, era minha iniciativa, cruzando os dedos para que tudo desse certo.

— Me falaram isso também – respondeu ele, olhando atentamente a capa e a contracapa, ainda não tinha olhado para mim. – Já assisti ao filme.

— Não vai se decepcionar, tipo… Tem muitas adaptações que acabam nos desapontando e quando lemos o livro é totalmente diferente. Claro que o filme “A Garota Exemplar” não conta tudo nos mínimos detalhes como no livro, mas não são tão diferentes e o livro é ótimo. A história te impressiona a cada página. Uma pena que você já tenha visto o filme, porque se não tivesse visto seria mais emocionante. – Como sempre, tornei-me uma tagarela de uma hora para outra. Ele finalmente me olhou e sorriu. E que sorriso! Era um dos mais lindos que eu já tinha visto.

— Você é blogueira?

— Não, só exponho minha opinião. Afinal, eu amo essas belezinhas – respondi batendo de leve nos livros da estante.

Novamente o sorriso sincero desse belo rapaz se expandiu pelo seu rosto e depois de um tempo me observando ele estendeu sua mão para mim.

— Sou Adrian Miller.

— Sou Camile Menezes, prazer – respondi apertando sua mão.

Depois daquele encontro, eu e Adrian passamos a trocar mensagens quase todos os dias. Sempre que possível nos encontrávamos para tomar um café e foi assim que nos conhecemos melhor. Trocávamos ideias, compartilhávamos assuntos do mesmo interesse e às vezes houve desabafos sobre o passado, como quando ele me contou sobre sua ex… ex-noiva. Já estavam a um passo de firmar compromisso pela vida inteira e tudo acabou quando ela o abandonou sem deixar pistas. É triste, mas agradeço que ele esteja solteiro agora.

Conversa vai, conversa vem e, apesar dos olhares, das suas mãos às vezes pousarem na minha, ele ainda não havia me beijado. Eu já estava cogitando que ele me via apenas como uma amiga, o que era ruim, pois comecei a nutrir sentimentos por ele. Eu queria ser bem mais que uma amiga.

Um dia marcamos de ir à biblioteca do estado – ele disse que tinha algo para me mostrar. Depois do expediente fui até lá e lembro que fiquei muito ansiosa enquanto o esperava. Até que uma forte chuva começou na cidade de Sydney, tão pesada que até a energia da biblioteca acabou.

Lembro-me dos funcionários pedindo calma para as pessoas e recomendando que todos ficassem dentro da biblioteca até o temporal passar. Tentei ligar para Adrian, mas só dava caixa postal. Então, fiz como os demais: aguardei. Sentei-me no chão do corredor e comecei a jogar no celular. Depois de um tempo, Adrian apareceu me assustando. Eu soltei um grito que o fez cair na gargalhada.

— Pensei que gostasse de terror – disse ele oferecendo sua mão para me levantar.

— Gosto, mas bem longe de mim – respondi. Sua mão entrelaçou na minha, algo que ele nunca tinha feito antes, e seu toque fez com que todo meu corpo se arrepiasse. – Só não faça eu ter um ataque cardíaco de novo.

— Prometo. – Mesmo naquele breu, olhei profundamente em seus olhos negros como a noite e senti minhas bochechas corarem. Desviei nosso olhar para nossas mãos. Era tão bom segurá-las, sentia-me protegida estando tão perto dele.

— Você não deveria ter vindo. Lá fora está bem perigoso, inclusive as estradas. Eu tentei te avisar, mas quando ligava só caía na caixa postal.

— Eu precisava vir – respondeu, senti suas mãos tremerem um pouco, e o olhei de cima a baixo, reparando pela primeira vez que seu cabelo e suas roupas estavam completamente molhados e não resisti, deslizei minha mão sobre sua camiseta.

— Você está todo ensopado. Vai ficar resfriado. Não acredito que você enfrentou toda essa chuva para vir aqui. Por que tanta pressa? Podíamos marcar outro dia, não haveria problema...

Fui surpreendida quando as mãos de Adrian contornaram a minha cintura, trazendo-a para mais perto dele. Senti minhas costas serem apoiadas na estante de livros e meu coração parecia que iria sair pela boca com essa aproximação repentina. Aquela aproximação a qual desejava desde que o vi naquele corredor.

— Eu vim, porque eu precisava fazer isso.

Adrian se aproximou dos meus lábios, senti o hálito quente em minha pele me causando arrepios, antes de finalmente provar o gosto de sua boca. O beijo começou delicado, mas foi ficando mais quente à medida que continuávamos. A sensação que senti ao beijá-lo era algo que eu nunca tinha sentido por ninguém antes. A emoção tomava cada parte de mim, fazendo meu coração bater mais forte. Envolvi meus braços ao redor do pescoço dele, explorando seu cabelo molhado. Eu queria conhecer cada parte do seu corpo. Queria conhecer Adrian por completo, de corpo e alma. Queria completá-lo novamente.

Uma chama esquentou nossos corações e nossa alma naquele dia. Eu me senti a mulher mais feliz do mundo e que finalmente eu tinha encontrado minha cara metade.

Mas a vida não é tão fácil quanto parece.

Na vida real não existem contos de fadas. Um príncipe não surge em sua vida com cavalo branco dizendo que a amará para sempre, sem se preocupar com nada. O príncipe não passa de um mimado que aguardará a coroa de seu pai ou do sogro para se tornar rei, e a rainha será aquela que o divertirá e trará herdeiros para continuar o legado da família.

Amar machuca, machuca tanto que às vezes leva as pessoas a ficarem cegas de tanto amor ou até mesmo obsessivas.

Não estou reclamando de Adrian, eu quero muito um futuro com ele. Além de meu namorado, ele tornou-se um grande amigo e confidente, mas… quando uma terceira pessoa interfere em sua vida e em seu relacionamento, você começa a repensar e analisar tudo ao seu redor. Pode parecer um pouco de paranoia e até mesmo insegurança.

Adrian… eu quero acreditar… que é apenas eu e você… porque às vezes parece que há três pessoas aqui.

CONTINUA...

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"Eu quero acreditar"?

Até onde as pessoas são capazes de ir por amor?

Camile Menezes resolveu arriscar sua vida fora do Brasil, achando seu destino na Austrália, onde conheceu o amor da sua vida: Adrian Miller.

Ela tinha tudo para ter um futuro perfeito com seu atual namorado, até que alguém do passado dele ressurge, Maggie Carter, sua ex-namorada que voltou com um único objetivo: tê-lo de volta.

Assuntos inacabados podem vir à tona. Dúvidas e inseguranças serão questionadas. Corações partidos podem surgir.

O que será posto à prova para esse casal permanecer junto? Qual é o limite de se amar alguém? Afinal, até que ponto chegamos para conseguirmos o que mais desejamos, mesmo que isso acabe machucando alguém?

AVISO: Conteúdo adulto (+ 18)

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