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Degustação 

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Capítulo 1 - Emma Steele

 

BUM!

 

Assusto-me quando o experimento do meu colega de classe, que está sentado na minha frente, começa a sair do frasco em abundância, melando toda a mesa com a infusão incorreta dos produtos químicos.

 

Não é uma grande novidade para os estudantes de ciência que alguns projetos não dão certo. Sempre somos orientados a analisar o erro, tentar novamente, e nunca desistir do que acreditamos. Às vezes pode até guardá-lo na gaveta, mas se tiver chances, tente de novo.

 

O colega solta um palavrão após a tentativa frustrada, quer dizer, mais uma tentativa frustrada. 

 

— Lembre-se do que disse Júlio Verne, meu caro! — O professor diz olhando na direção dele pronto para lhe declamar uma citação motivacional. — “A ciência se compõe de erros que, por sua vez, são os passos até a verdade.”

 

Ele assente antes de pegar os equipamentos para realizar a limpeza da sua área de trabalho. Volto a me concentrar na minha fórmula quando Abigail me cutuca, fazendo-me virar para trás. 

 

— Fiquei sabendo que os meninos do futebol irão fazer um treino aberto lá no estádio para todo mundo que quiser assistir depois do almoço — notifica sussurrando enquanto arruma o óculos de proteção. — Tá a fim de ver seu crush?

 

Sinto o meu rosto ficar vermelho, olho em volta para ver se alguém ouviu, mas ouço o bufar dela antes de voltar a encará-la.

 

— Ninguém ouviu, Emma — tranquiliza. — Então, vamos dar uma passadinha lá? Assim posso continuar minhas investidas no Chris — pisca debochadamente. 

 

Afirmo com a cabeça antes de voltar a atenção para os frascos na minha frente. 

 

Abigail Kim era muito diferente de mim, ela não tinha vergonha de chegar em um cara e dizer abertamente o que estava sentindo ou ficar jogando indiretas para provocá-lo. Eu não conseguia dar o primeiro passo, mas também não ficava muda se alguém conversasse comigo, às vezes, quando dava por mim estava falando demais. O meu problema era o primeiro passo, a famosa iniciativa.

 

Ela e o Chris Fischer, o linebacker do Florida Gators, o time da nossa universidade, ficavam nessa de jogar indiretas ao invés de ficarem juntos de uma vez. Enquanto eu ficava apenas observando de longe o famoso quarterback, Mike McCoy, o colírio da grande maioria das mulheres na Universidade da Flórida. 

 

Ele era venerado em todo campus e fora dele, garotas de todas as áreas queriam ter uma chance com o prodígio e gostoso capitão que arrancava suspiros só com o ato de tirar a camisa, e ainda pra constar em seu currículo, era herdeiro de uma empresa milionária em equipamentos esportivos. Mas ele não seguia os negócios da família, sua mãe era quem tomava conta da empresa, sendo uma das grandes patrocinadoras da universidade exclusivamente na área de atletismo. 

 

Por mais que eu tivesse um crush no Mike, eu não conseguia ser aquela garota que ficava rondando-o em busca de atenção. Sempre que ele aparecia em um mesmo ambiente que eu, simplesmente me afastava, pois tinha receio de trocar olhares, já que eu tinha grandes chances de virar um pimentão ambulante. 

 

Sem contar que ele vivia rodeado de mulheres, especialmente as líderes de torcida que estavam em busca de qualquer chance com ele, não teria como eu competir. 

 

Ser uma nerd tem suas desvantagens quando o assunto é chamar a atenção de um cara popular, quer dizer, às vezes tem algumas curvas fora da linha já que esse tipo de esteriótipo vem mudando. Diferente de algumas garotas que se produziam a ponto de parecer uma boneca, eu adorava o básico e o confortável.

 

Não sei se o Mike tem interesses parecidos com os meus, como ler mangás ou ver anime, se gosta de ir em eventos nerds apenas para apreciar as novidades desse universo ou ver um jogo de videogame maneiro que acabou de lançar. Sem comentários para as novelas asiáticas que vem se tornando uma febre e são as minhas queridinhas.

 

Estou inserida neste mundo desde da minha pré-adolescência, então não é muito difícil você encontrar itens de otaku decorando o meu quarto, ou em chaveiros na minha mochila. A influência desta cultura foi tão marcante que o meu interesse por química aumentou após assistir a um dos meus animes favoritos: Fullmetal Alchemist, que narra uma aventura de dois irmãos que se aventuram em busca da pedra filosofal após uma tentativa fracassada de ressuscitar a mãe através da alquimia, que é uma teoria científica desenvolvida na Idade Média.

 

Voltando ao Mike, ele é uma incógnita quando o assunto é interesses pessoais, quando você entra na rede social dele, seu foco é o esporte. Eu o vejo como alguém centrado apenas nisso, até mesmo nas entrevistas que ele dá. Nunca encontrei uma curva diferente da linha quando assunto é interesses. Mesmo assim, seu jeito galanteador acabou me seduzindo, ele é como um experimento que eu gostaria muito de desvendar.

 

Enfim, sejamos sinceras, desde quando um bad boy do futebol americano olharia para uma mulher que está sempre usando jaleco, os cabelos estão presos em um rabo de cavalo, raramente se maquia, que estuda ciências por conta de um anime e assiste dorama nas horas vagas? Nunca!

 

Olho pelo microscópio para analisar de forma mais aprofundada o componente na platina antes de prosseguir com o meu experimento e minhas anotações, mas não posso negar o frio na barriga que sempre me dá quando penso que vou observá-lo jogando.

 

x.x

 

A caminho do estádio, que não fica longe do prédio de química, o som da torcida e da banda ficava mais alto conforme nos aproximávamos. Pelo visto, o campus inteiro resolveu comparecer a esse treino aberto, pois os Gators eram idolatrados pela grande maioria dos estudantes. Ver alguém segurando um jacaré de pelúcia comprova minhas suspeitas, ao mesmo tempo que alguém atrás de nós, grita em pleno pulmões: Go Gators! 

 

— Achei que fosse um simples treino — comento olhando as pessoas surgindo com roupas do time.

 

— Quando se trata de Gators, não tem simples amiga. — Abigail retruca me dando uma leve cotovelada.

 

O hino de guerra começa a ser tocada pela banda quando entramos no estádio. As vozes da torcida se unem para cantar. Descemos para os bancos mais próximos do campo, mas, ainda assim, longe das primeiras fileiras. Encontramos um lugar com boa visibilidade e nos sentamos. Pego em minha mochila um pacote de cheez it e ofereço para ela, que nega veementemente.

 

— Não quero ficar com o gosto de queijo, ainda quero roubar um beijo do Chris! 

 

Reviro os olhos e foco nas líderes de torcida que entram no estádio fazendo suas apresentações antes de anunciar a entrada do time. The Swamp, como chamamos o famoso estádio da nossa universidade — uma alusão ao pântano onde os jacarés habitam, sendo eles o  nosso principal mascote —, não estava lotado como costuma ser quando há jogos oficiais, mas muitos estudantes estão espalhados pelas arquibancadas torcendo como se fosse um jogo oficial.

 

Quando o time entra em campo, procuro pelo número 16 com o nome McCoy estampado em sua camisa, e o vejo caminhando tranquilamente, segurando o capacete de proteção na mão enquanto conversa com um dos seus amigos. 

 

O corpo esguio de 1,80 m se destaca no uniforme laranja que possui proteção em seu peitoral e nas partes íntimas devido à agressividade das jogadas. Ainda sim é possível ter um pequeno vislumbre de seus braços e pernas torneadas, que fazem parte do pacote escondido embaixo daquela roupa. Por exemplo, o seu peito malhado e barriga de tanquinho, os quais só tive a oportunidade de ver através das fotos que ele tirou na piscina ou na academia do centro de treinamento.

 

O semblante sério, sem dar muitos sorrisos, demonstra o quanto está focado em ganhar. A barba por fazer bem desenhada em seu belo rosto, dá um certo charme ao rapaz de cabelos amarronzados, que possui lisos fios que sempre ficam suados após a partida, os quais o quarterback faz questão de passar os dedos assim que tira o capacete enquanto recupera o fôlego. A postura ereta demonstra a sua autoconfiança e também a sua liderança para com o time.

 

— Bem-vindos ao treino aberto pré Orange & Blue Game que vai acontecer daqui a duas semanas! — Uma voz sai pelos altos falantes. — Vamos incentivar nosso time aqui no The Swamp como se fosse uma final, combinado?

 

Os gritos e palmas soam com força pelo estádio. Vejo Mike colocando o capacete e indo direto para o centro do campo, onde seus colegas estavam divididos com os uniformes laranja e azul. Cada time se reúne em um círculo, antes de fazer um grito de guerra. Após o sorteio de quem inicia a partida, sendo a equipe do Mike a escolhida, começo a observá-lo orientando seu time que se posiciona na área de jardas.

 

O kicker dá o chute inicial e o jogo começa. Meus olhos acompanham o maravilhoso quarterback que monta a estratégia no campo direcionando os demais, tentando fazer a pontuação máxima que é o touchdown. A cada pequena pontuação conquistada, os estudantes comemoram e Abigail ao meu lado não para de pular de tão animada.

 

Mike se irrita quando uma bola é perdida, mas logo ajuda os jogadores a reformular a estratégia. Conseguindo manter a bola por mais tempo, sobre a proteção da sua equipe, ele arremessa para um dos recebedores, que agarra a bola oval no ar e sai disparado, desviando de quem quer derrubá-lo até chegar à End Zone do adversário, fazendo um touchdown no final do primeiro tempo. Não me seguro e comemoro com todos os outros.

 

O time laranja começa a fazer dancinhas, ao mesmo tempo em que agarram o recebedor responsável pela pontuação, para só assim irem para o banco se recompor.

 

— O Chris foi perfeito! As defesas que ele fez para alcançarmos o touchdown foram precisas! — Diferente de mim, que entendia o básico do básico de um jogo como aquele, Abigail era apaixonada pelo esporte. Não era à toa que ela tinha assunto com o linebacker! Se eu fosse depender disso para conversar com o Mike, estava lascada.

 

Dirijo meu olhar novamente para o banco onde naquele exato momento o quarterback joga uma garrafa d'água sobre os cabelos amarronzados que brilham no sol naquele dia quentíssimo e abafado da típica Flórida. Me abano em busca de algum vento artificial, para afastar a sensação que teima queimar o meu corpo por inteiro.

 

— Ver o crush todo molhado aumentou a temperatura aí amiga? — Abigail brinca fazendo-me arregalar os olhos.

 

— Por acaso você esqueceu que vivemos em uma cidade que não venta? — rebato evitando manter contato visual com ela.

 

— Não tem nada de errado imaginar como seria ser aquela água — provoca sussurrando para que somente eu escute. — Ou como seria ser pega de jeito no vestiário depois dele ganhar uma partida e o quão empenhado ele pode estar — engulo em seco.

 

Minha mente divaga para aquele pensamento impuro, como se eu pudesse sentir o atrito do armário contra minhas costas, enquanto o sinto dentro de mim. Mesmo que eu não saiba exatamente como é transar, só imagino mesmo. Sim, sou uma atrasada na vida sexual.

 

Balanço a cabeça para retornar à realidade e, logo em seguida, encontro uma das líderes de torcida, dando um beijo na bochecha dele, antes de entrar em campo novamente. Reconheço ser a líder delas, a tal da Hailey Smith, por conta dos cabelos ruivos que lembram fogo e chama a atenção por onde passa. Aquela com certeza iria ganhar uma super foda após o jogo.

 

— Você sabe que eu não tenho chances com ele, Abigail — reforço, tentando afastar o clima de tristeza que quer se instalar em mim.

 

— Tudo pode ter uma chance, basta achar o momento certo — pisca antes de gritar o nome do Chris tão alto, que tapo minhas orelhas com as mãos, mas tenho certeza ele que ouviu porque o mesmo retribui com um rápido aceno.

 

— E se não tiver o momento certo… 

 

— A gente faz acontecer, só não pode perder as esperanças — incentiva. — Aliás, fiquei sabendo que as fraternidades vão se unir para realizar uma festa de última hora. A temática será um baile de máscaras em prol da doação de alimentos que serão enviados para o Texas depois daquele tornado. Será neste fim de semana, todo mundo tem que ir a caráter, e pelo que sei o time inteiro vai comparecer.

 

— Você sempre muito antenada com o que acontece nesta universidade — analiso procurando uma garrafa d'água na bolsa.

 

— Uma de nós tinha que ser né, amiga! Então, prepara a sua melhor roupa, que vou atrás das máscaras mais lindas e vamos arrasar nesse baile…

 

— Aí amiga, não sei… preciso estudar… fiquei de visitar os meus pais em Miami… 

 

— Ah, para com isso, você vive estudando Emma! Se não é isso, está assistindo meus ancestrais — interfere balançando o meu ombro. A menção aos seus ancestrais é porque sua família veio da Coreia do Sul para os Estados Unidos há muitos anos. — Tem que se divertir um pouco, fazer coisas que universitários fazem, beber, dar uns amassos, dançar, se aventurar. Não ficar focada nos livros e no laboratório o tempo todo, sendo que isso será sua vida depois daqui. Visite os seus pais depois! Vai perder a chance de se aproximar do seu crush?

 

— Me aproximar… — Começo antes do barulho sonoro avisar que a partida está de volta.

 

— Estaremos mascaradas, o clima tem todo um mistério, você pode ser quem você quiser amiga, e eu prometo que darei um jeito para você ficar a sós com o Mike — revela pegando-me completamente de surpresa.

 

— Como assim… ficar a sós? — questiono me voltando para ela.

 

— Confia em mim, amiga! Você não estava querendo uma chance? Um momento certo para acontecer? Pode estar mais perto do que você imagina! — pisca, mas antes que eu fale qualquer coisa sua atenção volta para o campo.

 

Ficar sozinha com Mike McCoy em uma festa de baile de máscaras? Sinto meu rosto esquentar e outras partes também, só de pensar na ideia de ficar tão próxima do quarterback que há muito tempo rodeia meus pensamentos mais impuros, faz o meu pobre coração acelerar e a garrafa d'água acabar em um único gole. O que diabos a Abigail está aprontando? 

 

Capítulo 2 - Mike McCoy

 

A adrenalina corre por minhas veias durante todo o jogo, meu cérebro e meu corpo trabalham em conjunto enquanto penso em estratégias para o nosso time ganhar aquela partida. Pra mim não importa se é apenas um treino com meus próprios colegas de time, jogo é jogo.

 

Estamos no último intervalo, e o time laranja, o qual pertenço, está na frente do adversário, mas sabemos que qualquer deslize pode ser prejudicial para o nosso lado e que manter a bola conosco é essencial, não podemos perder a posse. Oriento meus companheiros e os incentivo para terminar bem aquele jogo, como se fosse uma final de campeonato.

 

— Precisamos de pelo menos um touchdown! Foco no touchdown! Vamos Gators! — abro os braços e faço o movimento da boca de um jacaré, gesto muito comum entre nós, antes de nos posicionarmos.

 

Quando estou no campo parece que todos os gritos da arquibancada somem. A bola precisa da minha proteção enquanto meus companheiros resguardam o meu caminho para eu não ser atingido, e desta forma, posso arremessar com segurança para os recebedores.

 

Mal sinto o impacto quando um dos defensores do time adversário vem com tudo pra cima de mim, mas antes de cair no chão lanço a bola para o time, e não consigo ver se conseguimos alguma pontuação, já que alguns corpos estão me prendendo no chão. 

 

Após sair debaixo deles, temos que refazer a jogada. E é assim, por meio de tentativas, que o jogo de futebol americano se forma, mas não leva muito tempo para alcançarmos o tão sonhado touchdown. 

 

No momento em que um dos juízes encerra o jogo, finalmente escuto a arquibancada explodir de alegria, eles comemoram como se fosse uma grande final e eu volto para o mundo real. Apesar de estar com a respiração ofegante, sinto a sensação de dever cumprido. Parabenizo todos os integrantes do time, uma vez que todos eles são Gators.

 

O suor escorre por todo o meu corpo e tudo que mais desejo é um banho bem gelado, mas antes de me dirigir até o vestiário, aceno para a plateia que nos acompanhou durante aqueles 60 minutos e cantamos o hino com eles, finalizando com uma salva de palmas.

 

— Você é foda, McCoy! — Ouço alguém gritar e abro um largo sorriso.

 

— Ótimo jogo rapazes! — O treinador Jenkins se aproxima. — Vou passar as análises para vocês depois do banho, relaxem, se alimentem e me encontrem no centro de treinamento às 3h.

 

Meus companheiros seguem agitados em direção ao vestiário, mas vou sem pressa, antes de sentir uma mão puxando o meu braço, me deparando com a líder das torcedoras oficiais do time, Hailey. 

 

— Parabéns pela vitória, Mike! — Um sorriso enorme está estampado em seu rosto, enquanto o seu olhar transmite segundas intenções.

 

— Valeu!

 

— Meu convite ainda está de pé. — Um dos dedos dela desliza pelo meu braço, antes de jogar os belíssimos cabelos ruivos por cima dos ombros. — Se quiser relaxar, posso dar uma passadinha no chuveiro depois que os meninos saírem.

 

Hailey sempre foi atirada, pelo jeito adorava me chupar, pois sempre que tinha oportunidade sua boca estava no meu pau. Era difícil negar um convite desses quando seu corpo clamava por uma trepada digna de final de jogo.

 

— Estarei te esperando — sussurro em seu ouvido antes de me afastar. Sigo para o vestiário, onde os outros jogadores, a maioria já nu, caminhava em direção aos chuveiros.

 

O assunto sobre jogadas e táticas permanece no vestiário, enquanto enrolo para entrar na ducha, sabendo que terei companhia. Quando a maioria já saiu do banho, me livro de todo equipamento de proteção e da roupa suja. Alguns hematomas das pancadas sempre aparecem, mas já me acostumei com isso. 

 

Com a minha toalha no ombro, vou até a área dos chuveiros e ligo na ducha gelada. Tremo com o primeiro contato, mas logo me sinto relaxado com o atrito da água sobre minha pele. Aproveito para fechar os olhos por um instante, permitindo-me descansar. Mas esse momento dura pouco quando mãos suaves começam a massagear meus ombros.

 

— O meu jogador favorito está muito tenso. — A voz mansa da Hailey é sussurrada em meu ouvido, antes da mão dela deslizar pelas minhas costas e por fim abraçar minha cintura. — Temos pouco tempo, gatinho.

 

Isso é o bastante para me virar em sua direção e prendê-la contra a parede gelada do chuveiro, fazendo-a soltar um gemido com o contato do azulejo frio. Seu corpo está completamente nu, a silhueta perfeita de uma mulher desejada por muitos. Hailey é muito linda, agraciada com os cabelos ruivos, intensos olhos verdes e algumas sardas em volta do nariz. Engraçado que ela pode ter qualquer homem aos seus pés, mas insiste em permanecer correndo atrás de mim. Beijo seu pescoço ao mesmo tempo que a sinto apertar a minha bunda, louca de desejo.

 

— Trouxe o preservativo? — pergunto perto do seu ouvido, fazendo-a sorrir antes de abrir a mão mostrando a embalagem da camisinha.

 

Abro o preservativo com o dente e deslizo-o pelo cumprimento do meu pau, e sem qualquer cerimônia, sabendo que ela já se preparou pra mim, levanto-a no meu colo e encaixo-me em sua boceta com força a ponto dela arquear as costas e gemer alto.

 

— Xiii, os outros não podem ouvi-la, ou seremos pegos neste ato proibido — aviso, segurando-a contra a parede.

 

— Como se eles não trepassem também… Ah… — Ela não continua, já que dou inicio as estocadas ritmadas, enquanto as unhas dela arranham minhas costas e seus lábios ficam vermelhos de tanto que ela os aperta, se segurando para não gritar de puro prazer. Estou prestes a gozar, então acelero o ritmo, chegando no meu extremo. 

 

Desço-a do meu colo para podermos buscar o ar que nos falta. Mas a insaciável garota não quer parar por ali. Então não demora para Hailey se ajoelhar na minha frente, tirar o preservativo e enfiar meu pau na sua boca. Meu corpo treme conforme ela toca e estimula cada partezinha do meu membro, despertando sensações nos pontos mais sensíveis do meu corpo, o qual ela já estava acostumada.

 

Envolvo seus cabelos ruivos e molhados entre meus dedos, e não seguro em nenhum momento os sons guturais que saem por minha garganta, pouco me importando que alguém esteja ouvindo. Quem nunca transou no chuveiro do vestiário quando teve oportunidade que atire a primeira pedra. 

 

Assim que meu corpo reage intensamente, ela desvia a boca, pois não curte engolir porra e me ajuda a liberar tudo dentro de mim. A respiração volta ao normal, me sinto completamente relaxado e leve após aquele ardente exercício. Viro meu rosto contra a água que cai do chuveiro, sentindo a pressão sem me importar.

 

Hailey começa a beijar meu peitoral e meu pescoço, e eu sei o que ela quer. Mas não darei o que ela mais deseja. A nossa relação envolve apenas sexo e nada mais.

 

— Obrigado pelo relaxamento. — Desvencilho-me dela e saiu debaixo do chuveiro.

 

— Por que você não me beija, McCoy? — pergunta cruzando os braços, completamente revoltada. — Venho aqui, dou pra você, e é dessa forma que me retribui?

 

— Eu não te obriguei a nada, Hailey. — Pego minha toalha e a envolvo ao redor da minha cintura. — Você queria ser comida, e eu comi você, e é isso que posso te proporcionar.

 

— Você é um grande babaca! — resmunga antes de se enrolar em uma toalha e sair por onde entrou.

 

Eu sei que ela volta, ela sempre volta. Hailey faz todo esse drama porque ela me quer como seu namorado oficial, o qual ela pode exibir como um troféu pela universidade inteira, dizendo para todos que está namorando o capitão do time de futebol americano e um dos caras mais ricos que residem aqui. Ter toda essa fama atrai mulheres interesseiras, o tempo todo.

 

Já o lance de beijar era algo mais pessoal, para mim o beijo era algo íntimo, envolvia muito mais os sentimentos do que uma transa. Através do beijo sinto sensações além do explicável, o sexo é só um complemento para o relacionamento. Por isso eu não saia beijando todo mundo, isso somente acontecia quando algo dentro de mim mexia por aquela pessoa. Eram raras as ocasiões que eu me permitia fazer isso.

 

Abro o meu armário e tiro algumas mudas de roupa para passar o resto do dia. Preciso retornar ao centro de treinamento para continuar a minha rotina de estudos, treino e academia, mas antes de fechar a porta olho para a foto do meu pai. Ele e eu estávamos em uma partida do New England Patriots, foi no dia do meu aniversário de dez anos, um ano antes dele falecer devido a um câncer de intestino.

 

Passei a gostar de futebol americano porque era isso que meu pai mais amava além da empresa e da minha mãe. Ele fazia questão de voltar pra casa para assistir à partida na televisão. Nessas ocasiões, eu me reunia com ele no sofá e torcíamos como se estivéssemos no estádio. Houve momentos que ele me levava em partidas ao vivo em Boston, onde eu morava antes de vir definitivamente para a Flórida.

 

Ainda me lembro quando cheguei nele falando que havia conseguido entrar no time da minha escola, eu tinha apenas onze anos. Ele fez uma festa na empresa dizendo que eu seria a próxima estrela do futebol, e ganhei uma chuteira muito maneira para usar nos meus jogos. Pelo menos ele conseguiu assistir a minha estreia no time. Naquela época eu não era destaque e sim um novato, mas por sorte o treinador Parker me colocou na linha de defesa. Foi a única vez que meu pai me viu em campo, porque depois disso a sua doença piorou drasticamente.

 

Foi difícil entender como em poucos meses ele teve uma recaída, indo logo para um estado vegetativo em um curto período. Só descobri que ele estava com câncer quando sua doença estava avançada, era um segredo dele com a minha mãe, eu não tinha noção do que meu pai estava passando.

 

Quando ele passou a ficar em casa, toda vez que eu chegava da escola fazia questão de dedicar todo o meu tempo disponível ao seu lado em seu quarto, e algo na minha cabeça ainda tinha esperança de que ele iria melhorar, que era somente uma fase. Mas depois que a gente cresce, e entende melhor da realidade, é que a ficha cai. Algumas doenças são difíceis demais de combater. 

 

— Obrigado, pai — sorrio para a foto antes de fechar o armário.

 

Começo a me arrumar, pois o meu foco é treinar para conseguir ganhar o Orange & Blue Game que acontecerá em breve, sendo este um grande evento na universidade que atrai milhares de fãs e alunos. E o treino de hoje é apenas um de muitos que vem acontecendo nesse período.

 

Assim que saiu do estádio, caminho para o centro de treinamento a alguns prédios dali. No trajeto vejo Chris conversando com uma mulher de ascendência oriental, os cabelos curtos e repicados dela dão um ar sensual enquanto joga charmes para o meu amigo. Tadinha, mal sabe ela que ele tem uma extensa lista de conquistas.

 

O ar condicionado me recepciona assim que abro a porta, as cores laranja e azul se destacam nos móveis e no espaço em contraste com as paredes e pisos brancos que estão sempre impecáveis. O enorme jacaré que é o símbolo do nosso time está em destaque na entrada, enquanto palavras motivacionais estão ao nosso redor.

 

Alguns dos meus colegas estão no refeitório que sempre disponibiliza comida saudável e balanceada aos atletas da casa. A área de atletismo atende, além do futebol americano, os jogadores de beisebol, basquete, vôlei, ginástica, natação, tênis, hóquei e outros. É um exemplo de local para todos os atletas, de todos os gêneros, de uma das melhores universidades para esportes do país.

 

— E aí McCoy, vem pra cá! — Kyle chama e eu me junto a eles. — Fizemos um ótimo jogo, né?

 

— Ainda temos alguns pontos para melhorar — confesso roubando um morango do prato de Harry. — Mas estamos no caminho!

 

— Você acha que o treinador vai falar sobre isso?

 

— Com certeza! Ele observou o desempenho de cada um na partida, vai nos apontar onde temos que melhorar — observo um grupo de meninas do vôlei chegando no refeitório. — Ele não será tão rígido porque estamos competindo entre nós no Orange & Blue, mas quando chegar a temporada de jogos com outras universidades, o treino se tornará intenso.

 

— Eu ainda nem consegui entregar meus trabalhos das outras matérias — reclama Harry tomando um longo gole de suco natural que parece ser de laranja. — E as fraternidades da UF decidiram se unir neste fim de semana para fazer um baile de máscaras…

 

— Por que vão fazer um baile em cima da hora? — pergunto olhando um por um.

 

— Por conta do desastre natural lá no Texas, todo mundo quer juntar o maior volume de comida para enviar para as famílias desabrigadas. — Kyle explica.

 

— E onde será essa festa solidária? Porque vamos ser sinceros, está longe de ser uma festa certinha — brinco antes do meu olhar se dirigir novamente para as pernas da capitã do time de vôlei, que vire e mexe abre um sorriso na minha direção.

 

— Vai ser lá no prédio de uma das fraternidades. Mas estão dizendo que assim que terminar o horário permitido, todos vão para um galpão em Gainesville — conta Harry comendo o último morango. — Lá que a verdadeira festa começa!

 

— O que os estudantes não fazem para farrear longe dos olhares dos professores, não é? — Kyle zoa fazendo a gente rir.

 

— Nada melhor do que uma festa para dar uns amassos! E será de máscara, então podemos ir a caráter e nos beneficiar dela por causa de todo o mistério, se perguntado: "tô pegando quem?". Sair um pouco da rotina certinha da vida de um atleta é tudo que preciso. — Harry comenta animado. — Vai ser muito divertido!

 

— É… esse baile veio para esquentar as coisas, faz tempo que não quebramos as regras — pisco para a capitã que toma um gole de sua bebida antes de retribuir.

 

— Olha o garanhão agindo! — Kyle solta olhando para os outros rapazes presentes em nossa mesa. — Sejam confiantes quem nem o nosso capitão, que a noite será nossa rapaziada!

 

Já estou ansioso para este fim de semana fora do planejado, quem sabe assim recupero a energia e claro, me diverto um pouco.

 

Capítulo 3 - Emma Steele 

 

Fuço o meu guarda-roupa em busca de algo legal para vestir na festa daquela noite, mas a grande maioria das roupas que eu trouxe da minha casa não combinam com o tema: baile de máscaras. Estou prestes a desistir quando Abigail aparece segurando sacolas em nosso dormitório.

 

— Trouxe nossas máscaras! — anuncia cantarolando. — Elas são tão misteriosas que ninguém vai saber quem é a gente.

 

— Amiga, acho que não vou… 

 

— Como assim não vai? — rebate irritada.

 

— Não tenho roupa pra isso! Meus vestidos não combinam com o tema — explico apontando para os cabides à minha frente.

 

— Tenho a solução! Após sair do Walmart para comprar os alimentos que serão nossas entradas, passei na Ross no caminho para achar um salto alto, e encontrei dois vestidos baratíssimos e lindos para usarmos! — Ela estende a sacola da loja de departamento. — O seu é o vestido azul, para combinar com sua máscara.

 

Abro a sacola e encontro um vestido vinho e outro azul-escuro, ao pegar o meu deparo com um tecido bem gostoso que lembra veludo, alguns brilhos dão um toque especial, suas mangas são longas apesar de ser curto e pra finalizar tem um belo decote.

 

— Vamos, vista-se pra ver se fica bom em você! — incentiva tirando as máscaras de outra sacola, uma mais linda do que a outra, cheia de detalhes na confecção.

 

Desfaço do meu moletom com emblema da universidade e coloco o vestido que serve perfeitamente, o decote em v realça o meu busto, dando destaque aos meus seios que não são tão pequenos assim. Não tenho costume de evidenciá-los como este vestido está fazendo, mas gosto do que vejo no reflexo do espelho.

 

— Sabia que você iria ficar gata nesse vestido! Foi um achado incrível e custou apenas 25 dólares! — Abigail pega o dela, que diferente do meu não possui um decote, mas é muito mais curto, justo ao corpo e parece de couro. — Pronta para arrasar nesta festa?

 

— Pronta!

 

Não sei de onde vem a confiança, mas gosto quando ela está presente em momentos que eu poderia simplesmente me enfiar embaixo das cobertas e relutar em ir. Como uma fada madrinha que está ali para te incentivar e dizer que nem tudo está perdido. Às vezes ter a coragem de se aventurar um pouco é o caminho para descobrir novos feitos.

 

Deixo que Abigail passe maquiagem em mim e eu fico responsável por cuidar dos penteados dos nossos cabelos. O dela por ser curtinho é mais fácil, mas o meu que é longo precisa de mais cuidado, então o deixo meio preso com uma pequena trança. Após terminarmos de nos arrumar, não acredito no que vejo em minha frente no espelho.

 

— Uau! Arrasamos! — Ela grita animada alisando o vestido com decote nas costas.

 

As máscaras, que são da cor de nossos vestidos, cobrem boa parte do rosto, dando um ar de mistério. As pessoas não iriam nos reconhecer, apenas se fossem muito próximas.

 

— Adeus a vida de cientista por um fim de semana! — Abigail bate na minha bunda antes de pegar as sacolas com os alimentos para doação.

 

Ajeito a dupla de presilhas de delicadas borboletas que ganhei da minha mãe no meu cabelo, antes de pegar nossas bolsas de lado e acompanhá-la. No caminho para fora dos dormitórios, encontramos outras pessoas vestidas a caráter parecendo bem felizes com o evento. 

 

Sinto alguns olhares em mim, mas evito olhar de volta, mas alguns caras não têm medo de assobiar quando nós duas passamos por eles conforme saímos do dormitório estudantil. Levaríamos 25 minutos andando até o local da festa, mas como todo americano não vive sem carro, como é o caso da minha amiga, seguimos até o estacionamento para pegar o seu Nissan Versa.

 

— Não sei porque você vai de carro sabendo que vai beber — comento entrando no lado do passageiro.

 

— Amiga, a festa começa aqui e termina em outro lugar, onde precisaremos ir de carro. Eu sei que você adora a sua bike, mas hoje vamos chegar como todo mundo! — Ela liga o motor do carro automático e em poucos minutos já estamos em frente a uma das mais populares casas da fraternidade, tentando achar uma vaga, é claro.

 

Várias pessoas caminham para as dependências da fraternidade que de fora parece bem comportada, mas basta você entrar nela que uma imensa mansão cheia de lugares diferentes se revela. São raras às vezes que as fraternidades se juntam, sempre houve uma rivalidade entre elas, pois cada uma quer ser a melhor da universidade, mas hoje estão fazendo algo em prol do bem maior, e somente por algumas horas os líderes terão que se juntar.

 

Eu nunca tive interesse em participar de uma fraternidade, sinceramente é algo que não me agrada. Mas hoje estou entrando em uma delas apenas porque está liberado pra todo mundo, senão, nem poderia colocar o meu pé aqui. Por isso os estudantes mais curiosos estão vestindo suas melhores roupas e as mais diversas máscaras.

 

— Qual é o plano? — pergunto para Abigail assim que ela desliga o carro.

 

— Divirta-se!

 

— Além disso, como… — Tomo coragem para dizer. — Como vou conseguir me aproximar do Mike?

 

— Aproveite a noite sem se preocupar com isso, quando acontecer você nem vai perceber. — Ela continua mantendo o mistério antes de sair do carro, eu a acompanho.

 

— Você não está me enrolando não né? — encaro minha amiga por cima do capô do carro. — Você não me arrastou pra essa festa apenas para me tirar do dormitório com esse pretexto de que vou ficar com ele.

 

— Bom, meu objetivo sempre é te tirar da sua zona de conforto. — Ela ativa o alarme. — Mas fique tranquila e confie em mim, amiga. — Agarra o meu braço me levando em direção ao casarão que já denuncia a música alta e dançante.

 

Ao chegarmos no lounge onde geralmente eles conduzem as festas, entregamos os alimentos para uma das integrantes da fraternidade e seguimos para dentro, encontrando uma enorme sala toda enfeitada e com várias pessoas dançando no espaço apertado. A casa, que possui mais de dois andares, está cheia de gente ao som eletrizante da música eletrônica tocada pelo DJ. Me sinto deslocada naquele ambiente conforme sigo minha amiga, desviando das pessoas que parecem estar felizes ao extremo por vivenciar aquele momento “único”. Não duvido que além do álcool, a maconha esteja a solta por aqui, o cheiro comprova minha teoria.

 

— Vamos pegar uma bebida! — Abigail fala alto apontando para o tradicional ponche em um canto da sala.

 

Não tenho muito costume de ir em festas, até mesmo no ensino médio eu evitava ir pelo simples fato que poderia acabar sozinha sentada em um canto da casa enquanto observava minhas amigas ficando com os carinhas que gostava. Já na universidade, durante esses três anos, fui arrastada por Abigail para ir em algumas festas clandestinas, eventos próprios da universidade, e algumas ações solidárias. Gostava mais de ir ao barzinho do que me enfurnar nesses locais cheios de gente.

 

Já na questão de garotos. Bom, eu não era a maior pegadora, mas as chances que tive de ficar com alguém foi durante os encontros nerds que ocorriam no campus e fora dele. Conforme fiquei mais velha, avancei o sinal em questão de permitir que me tocassem de forma mais íntima, pois eu estava curiosa para saber qual era a sensação, alguns foram um desastre, outros sabiam muito bem o que fazer com os dedos. Mas nunca fui além disso, pois eu me tornei uma mulher que não se interessava fácil por alguém.

 

Aos quinze anos, tive uma decepção amorosa tão grande que chorei em posição fetal por meses após ser traída pelo meu ex-namorado. Eu disse pra ele que me entregaria quando me sentisse pronta, e ele dizia que iria me esperar e que estava tudo bem, mas algo me bloqueava e eu não conseguia avançar. A timidez me atrapalhou demais naquela época. Então, um dia, resolvi fazer uma surpresa e o peguei transando com outra mulher em seu quarto. 

 

Por conta disso, coloquei de alguma forma na minha cabeça que “homens” serviam apenas para beijar e dar uns amassos, que eles não mereciam a minha virgindade. Mas tudo mudou quando vi Mike McCoy correndo no campus e um desejo se apossou de mim de tal forma, que eu disse pra mim mesma que se eu tivesse uma chance com ele, eu cederia. 

 

Os anos foram se passando, eu não tomei nenhuma iniciativa. Primeiro porque soube que ele tinha namorada, e depois por pura covardia mesmo, e o resultado disso foi que nada aconteceu. Além do desejo de tê-lo, comecei a nutrir sentimentos pelo quarterback, criei uma paixão por ele, mesmo que a gente nunca tenha se sentado para conversar. Pode ser que eu esteja me iludindo com uma imagem que criei dele, mas… por outro lado, eu queria de fato ter essa chance para comprovar ou me surpreender.

 

— Conversando com o Chris, ele me fofocou que a fraternidade disponibilizou uma das salas para eles no andar de cima. — Abigail fofoca enquanto nos afastamos do ponche já batizado.

 

— Mesmo você conhecendo ele, não quer dizer que conseguiremos ficar com os atletas nessa sala VIP. — Tomo um gole do ponche com gosto de vodca.

 

Atletas, desde do tempo de colégio, sendo vistos sempre como ídolos por toda uma geração. Mesmo que eu entrasse na tal sala, duvido que o Mike olharia sequer pra mim, principalmente com a Hailey que insiste em sentar no colo dele sempre que está em público. Eu sei que os dois não namoram, não oficialmente, mas meu crush tem a fama de pegador, já ficou com várias garotas do campus que chamou a sua atenção. 

 

Não vou negar que queria ser uma dessas sortudas, que ele me olhasse apenas uma vez, que me enxergasse de verdade, que de alguma forma me desejasse como eu o desejo, e quem sabe, eu me tornasse alguém importante na sua vida, não apenas uma paquera.

 

— Vou ali rapidinho, fica aqui que eu te encontro! — Abigail anuncia em meu ouvido, e se afasta antes que eu diga qualquer coisa.

 

Olho em volta, as pessoas estão concentradas em suas próprias danças, e como sempre não sei como me sair sem estar na presença de alguém. Até que um rapaz alto e forte se aproxima de mim, não sei quem é, mas pelo tom de sua voz, já tomou todas que teve direito.

 

— E aí gostosa, vem dançar comigo! — Ele puxa meu braço, tento me desvencilhar, mas é em vão, ele é mais forte do que eu.

 

— Me larga! — ordeno, mas ele não me escuta, o empurro, mas ele insiste em avançar. O desespero começa a tomar conta de mim. Esse era um dos motivos pra eu odiar festas assim, a falta de respeito.

 

— Solta ela cara! —  A voz inconfundível de Mike soa atrás de mim, antes de ver o braço dele empurrando o grandalhão para longe.

 

— Ah, já vem você McCoy, querendo todas as meninas da festa! — reclama o grandalhão. —  Ninguém te chamou, eu e ela estamos nos divertindo.

 

— Você está importunando ela — diz sem rodeios. — Você conhece esse cara, moça?

 

Nego com a cabeça, sentindo meus ombros encolherem, principalmente quando sinto o peitoral dele bem nas minhas costas, fazendo-me prender a respiração.

 

— Vai procurar outra que te queira, Roosevelt. — O tom sério e intimidador de sua voz, faz o homem cambalear e ir para longe.

 

Sinto a mão de Mike apertar de leve meu ombro, antes de me virar em sua direção, e me deparar com o meu crush usando uma camisa social preta entreaberta, uma calça jeans escura, e uma bela máscara preta que não esconde tão bem o seu rosto, diferente da minha.

 

— Você está tremendo, vem, vamos para um lugar menos agitado. — A mão dele segura a minha, e uma corrente elétrica me envolve por inteira. Sentir sua mão na minha é indescritível. Preciso me controlar, preciso focar em não parecer uma garotinha indefesa. Essa é a minha chance, não posso desperdiçar.

 

Vamos para um canto da casa onde apenas abajures estão ligados e ele me conduz até uma poltrona vaga, sentando-me ali.

 

— Tá na cara que você não tem costume de vir a essas festas. — Ele ri assim que se ajoelha na minha frente.

 

— Pra ser sincera, eu não curto muito — respondo tomando o restante do meu ponche, deixando que o álcool me dê mais coragem.

 

— Então você veio acompanhar a sua amiga, que te largou no meio do caminho — analisa enquanto mantém sua atenção em mim.

 

— Ela foi encontrar alguém, e fiquei esperando. Até aquele cara aparecer e… por que homens são assim, gostam de tudo na força? — Solto apertando o copo vermelho em minhas mãos.

 

— Querem se sentir superiores. Ao invés de chegar em uma linda mulher como você e puxar papo, só pensam no jeito de domá-la — responde e eu sinto meu rosto esquentar… ele me chamou de linda! Escutei isso mesmo? Mike McCoy me chamou de linda?

 

— Que bom que há homens atentos a babacas! Mas a grande maioria fica olhando e não fazem absolutamente nada para defender — analiso. — Obrigada por me defender, Mike.

 

— Então você sabe quem sou eu! — Ele ri.

 

— Impossível não saber, você é um dos caras mais populares da universidade. — Trocamos sorrisos.

 

— Achei que essa máscara serviria de alguma coisa, esse lance todo de mistério, da gente não saber quem é quem. — Sua risada é contagiante, fazendo borboletas se agitarem em meu estômago.

 

— Convenhamos que você não comprou uma máscara tão misteriosa assim. — Interfiro analisando a máscara preta e simples que moldam seus olhos acinzentados. — Na verdade, você não se escondeu tanto, é bater o olho em você que todo mundo saberá quem é. Diferente de mim.

 

— Concordo que você está realmente cheia de mistérios, não consigo decifrar quem é você. — Os olhos dele me analisam, e sinto meu corpo inteiro esquentar apenas com aquela troca de olhares.

 

— Sou apenas uma simples estudante. Não ando no seu círculo de amigos e não estou inserida no atletismo — respondo desviando meu olhar. Ninguém na festa parecia interessado em nós e isso acalmou meu coração, apenas um pouco confesso, porque bastava olhar de novo pra ele para as batidas se intensificarem.

 

— O mesmo ciclo acontece na universidade, é como se estivéssemos revivendo o colégio, só que de um jeito mais avançado. Saímos de casa, estamos morando nos dormitórios sem a supervisão de nossos pais, criamos nossas próprias regras, não precisamos mais festejar escondidos, lidamos com a vida de adultos ficando cada vez mais ocupados com as nossas responsabilidades. Mas o clube dos favoritos permanece intacto. — Ele pega o copo de minha mão, o qual não percebi que estava destruído.

 

— Mas diferente da escola, que era um grupo muito seleto, aqueles que não são populares tem a chance de se destacar na sua área. — Encontro coragem para encarar seus belos olhos, dando espaço para que se sente comigo na poltrona que tem dois lugares.

 

— E eu posso saber de qual área você é nesta imensa universidade? — pergunta aceitando o convite. Seu corpo ocupa todo o espaço, sua perna encosta na minha, elevando as batidas do meu pobre coração. Parece um sonho tê-lo pertinho assim de mim, como também sinto uma sensação boa ao saber que ele continua interessado em conversar comigo.

 

— Bom, pra manter o mistério, não vou revelar exatamente o que faço — digo olhando-o de relance. — Mas sou da área de ciências puras.

 

— Então quer dizer que tenho uma mulher muito inteligente comigo! — Mike leva a mão ao queixo pensativo.

 

— Eu me esforço pra ser! — comento fazendo-o se virar para mim.

 

— Se você está estudando aqui, é porque você é inteligente! Sem sombra de dúvidas! — incentiva como um líder nato que ele é. — Pra você ter noção, eu sempre fui péssimo nas minhas aulas de laboratório, tive que ralar no ensino médio para ter um ótimo boletim, era bem difícil pra mim. Eu amava matemática, sempre me dediquei a entender os números, principalmente por conta do futebol, mas quando envolvia outras matérias, puff! — rimos. — Mas né, eu precisava manter um currículo aceitável, mesmo que não fosse concorrer a uma bolsa, afinal eu não poderia tirar essa chance de outra pessoa devido minha condição. A mesma coisa aqui na universidade, eu não posso me dar o luxo de ser bom apenas no futebol, quantas vezes vi atletas perderem bolsas porque não se importavam com as outras matérias, achando que iriam apenas se formar como jogador.

 

— É, saímos da escola imaginando mil coisas da universidade, mas só estando aqui pra entender que é dureza. Não é porque estamos mais livres que as coisas serão mais fáceis — concordo entrelaçando minhas mãos, sentindo seu olhar em mim. — Você é muito esperto, Mike. Tenho certeza que estaria se dando muito bem em qualquer área! Mas o seu lugar é no campo, orientando toda uma equipe e bolando as estratégias mais mirabolantes possíveis pra ganhar. Isso o torna inteligente também, você ganhou esse posto pelo seu talento e dedicação, e está sendo bem recompensado por isso — elogio, fazendo-o sorrir de canto, antes dele desviar o olhar para a sala cada vez mais lotada com casais dançando agarrados.

 

Tenho a sensação de estar puxando o saco dele e não sei se isso é o princípio do fim da nossa conversa. E eu estou longe de saber flertar, os garotos que fiquei sempre tomaram a iniciativa, não eu.

 

— Você deve ouvir isso de muita gente. — Solto sem pensar.

 

— Não, poucos me falam isso —  diz balançando a cabeça de leve. — Quando você é o centro das atenções, é preciso tomar certos cuidados com aqueles que querem te derrubar. Eu sou o quarterback oficial do Florida Gators, mas não duvido que os reservas ou os outros estudantes que ainda não fazem parte do time, pensam em relação a isso e o quanto desejam o meu lugar. Temos todo um time, mas não quer dizer que não sou insubstituível. 

 

— Você já está fazendo história no Gators, e ainda irá fazer muita história fora dele. — Apoio minha mão em sua perna, dando um leve aperto de conforto, mas logo me arrependo do gesto, afastando-a. — Desculpe — falo sem jeito. — Enfim, toda fama tem um preço. Se o seu desejo é se tornar um jogador profissional, isso já é um preparo para saber que você precisará enfrentar muitos obstáculos para se estabilizar em um time da Liga. Que haverá aqueles que apostam no seu sucesso e aqueles que querem ver sua queda o mais rápido possível. — Quando dou por mim tagarelei mais do que a minha própria boca, maldito nervoso. — Desculpa, quem sou eu pra falar isso, né?

 

Mike, que estava olhando para mim, aproxima sua mão assim que uma mecha do meu cabelo insiste em cair sobre os meus olhos, devido à inquietação causada pelo nervosismo. Ele coloca-a atrás da minha orelha, fazendo-me prender a respiração ao mesmo tempo em que sinto o aroma amadeirado do seu perfume.

 

— Engraçado — começa ainda se mantendo próximo —, já falei com tantas mulheres, mas nenhuma delas conseguiu parar pra me ouvir ou analisar o que faço… Geralmente elas querem inflar o meu ego, dizendo que sou o melhor, que sou um gostoso, mas se esquecem que eu já sou autoconfiante o bastante e que não preciso disso.

 

— Desculpa, eu… — digo sem jeito remexendo no meu lugar. Merda o que foi que eu fiz?

 

— Você não fez nada de errado, moça misteriosa — interrompe. — Sabe o que elas falam? “Você é foda McCoy, não há quarterback melhor que você, você é capitão mais sexy e gostoso dessa universidade” e por aí vai. Duvido que se eu fosse outro estudante, de outra área, iriam falar assim comigo, ou estariam interessadas em analisar a nossa vida universitária.

 

— Você é muito lindo, Mike, não importa a área, você iria receber esses elogios e teria garotas aos seus pés! — E minha tagarelice ataca novamente. — Merda! — Desvio o meu olhar do dele, escondendo o rosto. Escuto a sua risada, devo ter estragado tudo.

 

— Agradeço a sua sinceridade. — Sinto a sua mão pegando as minhas, afastando-a do meu rosto. Quando volto a abrir meus olhos, ele está mais próximo de mim.

 

— Acabei de agir como as outras garotas, né?

 

— Diferente delas, você não disse logo de cara para me conquistar. — Seu olhar desvia do meu e param em minha boca, meu coração dá um salto… meu deus, vai acontecer? — Você realmente não vai me dizer o seu nome?

 

— Pra acabar com o mistério da festa? — Aconchego-me no encosto da poltrona, tentando de alguma forma parecer sexy. — Você pode me achar tão sem graça e sem sal, prefiro manter o sigilo.

 

— Você não é nada disso, moça misteriosa. — Ele se curva um pouco, sua mão agarra minhas pernas, apoiando-as sobre as suas. Meu corpo inteiro entra em chamas com aquele pequeno gesto e a qualquer momento posso entrar em combustão. Mordo os lábios, tentando controlar minha respiração, mas já que a iniciativa veio preciso ter coragem, então envolvo uma das minhas mãos em sua nuca, acariciando aqueles cabelos que eu sempre desejei tocar. Ele aprova o carinho, sorrindo de um jeito tão sexual que me excita. O seu hálito quente causa um arrepio bom quando fala no meu ouvido com sua voz rouca, o que me desperta mais tesão. — Aposto que você é especial e muito interessante.

 

Então, aquilo que eu sempre desejei, acontece. 

 

Os lábios de Mike primeiro encontram o meu pescoço, trilhando um caminho gostoso até a minha boca, iniciando ali um beijo devagar e ao mesmo tempo sedutor. O toque de sua barba em contato com a minha pele causa uma sensação maravilhosa por todo o meu corpo. Sua boca explora o gosto do meu lábio inferior e depois o posterior, antes dele pedir permissão, buscando pela minha língua. Parece uma explosão quando entrelaçamos uma na outra em um ritmo lento e extraordinário. Sugo-a sem qualquer pressa, aproveitando cada segundo enquanto minhas mãos envolvem suas costas, me perdendo entre os seus cabelos macios, sentindo suas mãos apertando minha pele de um jeito voraz.

 

Ele se afasta um pouquinho, apenas para puxar meus lábios de forma provocativa. Um gemido denúncia o que estou sentindo, fazendo-o sorrir antes de me beijar mais profundamente, despertando cada vez mais sentimentos que guardava apenas para mim.

 

Eu não sei explicar o que acontece no meu interior, pois meu coração está batendo tão descompassado que tenho receio que ele perceba. Um arrepio bom e gostoso percorre pelo meu corpo ativando tudo que tem direito. Sinto minha intimidade pulsar, louca por um contato. Minha mente está um turbilhão, imaginando diversas possibilidades, pois desde do primeiro momento que o vi correndo pelo campus, sem saber que ele era um quarterback, esse rapaz não saiu mais dos meus pensamentos. 

 

Sou incapaz de me afastar deste beijo viciante. Tudo que eu mais quero, é me perder em seus braços e ficar assim com ele por horas a fio, sem me preocupar com o amanhã.

 

Capítulo 4 - Mike McCoy

 

Essa moça misteriosa, de sorriso delicado e olhar intenso, sem esforço algum, conseguiu despertar o meu desejo de beijá-la como há muito tempo eu não fazia com nenhuma mulher. 

 

Seus lábios doces me deixam hipnotizados, a ponto de ficar minutos ou até mesmo horas em uma troca intensa enquanto meu corpo reage ao seu carinho e o seu jeito amável de me domar, antes de partir para um beijo mais selvagem e bruto.

 

Ela, que eu ainda não sei o nome, é a definição de mulher que me atrai. Ela pode até me querer, mas não é do tipo atirada, e só o fato dela saber conversar, sem a cada dois minutos me chamar de gostoso ou me olhar com segundas intenções, é um bônus, uma raridade.

 

Quando a vi sendo encurralada daquela forma pelo Roosevelt e percebi seu desconforto através da sua linguagem corporal, precisei ir ao seu encontro. Aprendi a ler esses sinais ainda com minha mãe, principalmente depois que ela começou a se envolver com outros homens após o falecimento do meu pai, desde então se presencio essas cenas, arrumo um jeito de ajudar.

 

Agora essa moça está aqui, em meus braços, e porra, como é bom sentir o gosto da sua boca! Sinto uma sensação diferente percorrer por minhas veias, a enorme vontade que tenho de me fundir a ela como um só é difícil até de explicar. Quando digo que beijos são perigosos, é disso que estou falando, desse sentimento que brota em você quando você menos espera.

 

Assim que busco o ar que falta em meus pulmões, mantenho nossas testas coladas uma na outra. Abro os olhos por um momento para encontrar seu semblante alegre antes de seus olhos castanhos abrirem e encontrarem os meus. Ela me observa com carinho através daquela máscara que esconde boa parte do seu rosto, mas que eu aposto que esconde uma beleza pura.

 

Desvio meus lábios para o seu pescoço, distribuindo beijos antes de me encaminhar para o decote em v que realça seus seios, aperto um deles com delicadeza e aquele simples movimento a faz erguer o quadril. Aquilo é o bastante para eu saber que está tão excitada quanto eu.  Volto a beijar e mordiscar seu pescoço, antes de sussurrar em seu ouvido.

 

— Eu quero muito foder você, moça misteriosa — mordo o lóbulo de sua orelha. —  Com todo o respeito, é claro. — Sua risada faz seu peito se mexer embaixo de mim.

 

— E eu quero muito você dentro de mim, Mike. — Encontro seu olhar. — Merda, não sei da onde tirei coragem pra falar isso.

 

— Fale mais! — incentivo voltando a beijar seu queixo. — Seja boca suja, confesse seus desejos mais sórdidos.

 

— Estou encharcada depois do nosso beijo — revela de um jeito tímido. 

 

Antes que ela diga qualquer coisa, ajeito-a no sofá curvando meu tronco numa posição discreta pra evitar curiosos e apago o abajur próximo da gente. Seu olhar me analisa, e mantendo o nosso contato visual, afasto um pouco suas pernas, um gemido baixinho ressoa por seus lábios antes mesmo de enfiar minha mão por debaixo de seu vestido de veludo, sentindo a sua calcinha, comprovando o que ela disse, antes de empurrar o tecido para o canto e meu dedo invadi-la com vontade espalhando seu mel. Ah como queria prová-la. Ela morde os lábios para evitar um grito quando a penetro com um único dedo, levando-a a esconder o rosto no meu ombro. Sua respiração fica cada vez mais ofegante, seguro sua cintura, pois conforme a estímulo, ele cria vida própria, até o momento que simplesmente implora. 

 

— Transe comigo, Mike. Me satisfaça a ponto de não saber onde estou. Faça eu saber que tudo isso não é um sonho, e que não vou acordar no meio caminho. 

 

Observando ao nosso redor, noto que as pessoas parecem pouco se importar com a nossa presença, pois estão aproveitando tanto quanto a gente. No entanto, noto que há uma porta próxima à nossa poltrona. Parece-me um local onde, geralmente, guardamos as nossas bagunças. Antes que qualquer pessoa perceba, pego na mão dela ajudando-a se levantar e giro a maçaneta que abre sem dificuldades, o ambiente está escuro, mas a puxo para dentro do local, trancando-nos lá dentro.

 

— Mike… — Ouço-a me chamar, um pouco receosa. 

 

Procuro um interruptor, mas sinto algo bater na minha cabeça e me deparo com uma cordinha no ar, assim que a aciono, uma luz neon roxa liga, e o suposto quartinho da bagunça se revela um lugar erótico, com um sofá, desenhos obscenos e até lubrificantes. Olho incrédulo para aquela cena, já tinha ouvido falar desses quartos nas fraternidades, mas nunca aconteceu de eu dar de cara nele. Encontro o olhar dela e nós dois começamos a rir.

 

— Acho que esse quartinho é para casais desesperados. — Volto-me para ela que está tão impressionada quanto eu. — Não tenha medo — envolvo o seu rosto, depositando um beijo em seus lábios enquanto uma música sexual toca do lado de fora. — Você ainda quer? Podemos parar… 

 

— Quero, nossa, como eu quero! — Seu braço envolve minha nuca, puxando-me para um beijo intenso que acende mais ainda o fogo que está nos consumindo.

 

E essa é a deixa para pressioná-la contra a parede daquela salinha. Ainda com os nossos lábios selados e ansiosos, puxo o seu vestido até a cintura, arrebentando o tecido de sua calcinha, antes de me afastar para abrir o zíper da minha calça para colocar o meu pau já ereto pro lado de fora. 

 

Quero-a tanto que nem me preocupo com o preservativo. Simplesmente puxo uma de suas pernas ao encontro do meu corpo, e começo a atiçá-la com a minha glande por toda sua extensão molhada, enquanto suas unhas se afundam nos meus ombros e suas costas arqueiam de prazer com o contato de pele na pele. E mesmo assim, continuamos nos beijando.

 

Procuro sua entrada, que para a minha surpresa é bem apertada, mas vou devagar, fazendo-a aceitar-me gradualmente dentro de si. Ela arfa com o contato, apoiando a cabeça em meus ombros conforme entro cada vez mais nela, um gemido baixo e contínuo se intensifica, diferente de outras mulheres mais fogosas que me querem rapidamente a ponto de deslizar mais rápido, com ela o processo é mais lento.

 

— Tá tudo bem? — Aliso seus longos cabelos, sentindo suas paredes internas me apertarem cada vez mais, me causando uma sensação maravilhosa de puro prazer. Então minha ficha cai, quando as unhas dela afundam com força contra meu ombro. Aquilo não é gemido de prazer, ela está sentindo dor. — Você é virgem…

 

Ao dizer isso ela encontra o meu olhar e não é preciso dizer mais nada, pois eles dizem a verdade, ao mesmo tempo que sinto uma onda de êxtase tomar conta de mim.

 

— Só continue, Mike. — Sua mão volta a acariciar a minha nuca, causando uma sensação gostosa no meu corpo. — Eu quero você, me permita sentir. 

 

— Eu também quero. Mas… você está bem nessa posição?

 

Ela confirma acariciando meu rosto, procuro qualquer incerteza em seu olhar, mas tudo que vejo neles é a mais pura entrega. Deste modo inicio com movimentos lentos com medo de machucá-la. Beijo sua boca mesmo que ela gema por entre meus lábios, e assim vou aumentando a velocidade das estocadas. Não nego que sentir a sensação de pele contra pele me enlouquece, mais ainda com a boceta dela me pressionando daquela maneira. Aproveito para apertar a sua bunda, aumentando mais ainda a fricção e o contato de nossos corpos. Tenho cada vez mais um prazer extraordinário. 

 

— Mike… — Sua voz falha, seus olhos reviram na órbita, sua respiração se descontrola cada vez mais naquele ambiente que está pegando fogo.

 

— Pode gritar, não tenha vergonha ou medo de expressar o que sente. — Começo a meter mais fundo, observando um fio de suor escorrer de sua testa antes de sentir suas mãos apertarem com força minhas costas, e esse incentivo é o bastante para ela gemer alto, me arrancando um enorme sorriso. — Isso, gatinha, mostre o quanto você gosta disso. Como é bom ter meu pau dentro de você.

 

Estou atingindo o meu ápice e sei que ela também, pois seu corpo começa a tremer e me apertar cada vez mais. Seguro-me, pois quero que ela se sinta privilegiada em sua primeira vez. Um grito mudo sai da sua boca antes do seu prazer banhar todo o meu pau. Sua perna desliza caindo de volta para a posição, seguro seu corpo enquanto ela agarra o meu pescoço, deitando-se em meu ombro enquanto assimila tudo que sentiu. Dou duas últimas estocadas antes de tirar meu pau e derramar todo o gozo no chão.

 

A moça misteriosa busca a respiração que lhe falta nos pulmões após provar algo totalmente novo. Acaricio os cabelos suados e as costas dela, antes de beijar seu pescoço. Ficamos assim por um tempo.

 

— Espero não tê-la machucado — sussurro em seu ouvido. 

 

— Eu tô bem, Mike. — Sua voz continua cansada.

 

— Você deveria ter me contado que ainda era virgem. — Deixo um beijo estalado em seu pescoço.

 

— Pra você me rejeitar? — Sua voz sai em um tom brincalhão.

 

— Não, pra eu te proporcionar uma experiência melhor — seguro seu rosto. — Tem certeza que está bem?

— Estou me sentindo maravilhosa! — Ela deposita um beijo em meus lábios, tranquilizando-me. — Acabei de presenciar uma sensação que nunca provei antes.

 

— Esse era seu objetivo essa noite?

 

— Objetivo? — Aproveito para me afastar assim que sinto que ela está mais estável para ajeitar a minha calça.

 

— Transar com um cara legal? — explico com outras palavras.

 

— Não, esse foi um bônus. — Ela arruma o vestido, já que rasguei sua calcinha.

 

— Qual era o seu objetivo, então? — pergunto, voltando a abraçar sua cintura, sem pretensão de deixar aquele ambiente, apesar de não ser tão agradável quanto aparenta. Uma música mais lenta toca do lado de fora, e eu começo balançar os nossos corpos como se estivéssemos dançando, ela acompanha o ritmo.

 

— Falar contigo — franzo o cenho. — Faz um tempo que tenho um crush em você, Mike, mas eu não tinha coragem para dar qualquer iniciativa. Andamos em grupos diferentes, e eu tinha receio que você me afastasse por ser uma nerd — mordisco o seu pescoço em resposta. — Esse baile poderia ser o momento perfeito, com todo esse ar de mistério por conta das máscaras. Eu fiquei imaginando — ela brinca com os fios do meu cabelo conforme dançamos —, vai que esbarro em um tal quarterback que é sempre disputado entre as mulheres, que ele olhe pra mim e a gente comece a conversar.

 

— Então você ganhou a noite! Conseguiu ficar comigo e ainda transar! — Mordo seu ombro de leve, e ela me empurra brincalhona. — Tirou a sorte grande, moça misteriosa. 

 

— Será mesmo?

 

— Vai, confessa, que sua primeira transa foi boa! — beijo sua bochecha antes de morder devagar o seu lábio. — Aposto que está louquinha para uma segunda rodada nesse sofá.

 

— Não consigo fazer uma segunda rodada agora, seu safado! — Sua boca envolve a minha e rendo-me a doçura de sua língua, apertando suas nádegas com malícia. — Confesso que você me fez sentir nas nuvens, dizem que uma boa transa você não sente nem as pernas.

 

— Então estou aprovado?

 

— Se você conseguiu fazer eu chegar lá de primeira, o que você acha? — Ela coça a minha barba antes de voltar a encontrar meus lábios. — Devo me preparar para sair desse sonho?

 

— Temos a noite inteira para aproveitar, moça misteriosa. Eu que te pergunto, preparada pra sair daqui disposta a ficar ao lado do cara mais popular da universidade, com milhares de mulheres sentindo inveja de você por estar comigo essa noite? Vai aguentar a pressão? — seguro a sua mão, e ela entrelaça seus dedos nos meus, apertando-os carinhosamente, afirmando com a cabeça.

 

Antes de sairmos faço questão de olhar seu corpo para ter certeza que está tudo bem com ela, já que dizem que algumas vezes as virgens sangram muito na primeira vez, e não quero que ela morra de vergonha caso isso tenha acontecido.

 

— Que foi? — pergunta olhando na mesma direção.

 

— Tô verificando se você não precisa de uma blusa — explico encontrando o seu olhar através da máscara.

 

— Tá tudo bem — confirma abrindo mais uma vez o seu sorriso tranquilizador. 

 

Destranco a porta e logo nos deparamos com um casal no batente se pegando horrores, entrando no ambiente logo depois da gente sair. Rimos da situação e desejo novamente que ela tivesse tido uma experiência em um lugar melhor na sua primeira vez. Espero proporcionar isso novamente em um segundo encontro.

 

— Eu preciso te conhecer depois dessa festa — coloco uma mecha de seu cabelo para trás da sua orelha, observando ali uma dupla de presilhas de borboletas um pouquinho fora do lugar depois da nossa aventura. — Amanhã você poderia me encontrar no Starbucks próximo ao centro de treinamento, aquele dentro do prédio de Direito? Tipo as 3h da tarde.

 

— Claro! Podemos sim…

 

— Ah, você está aí! — Uma voz nos interrompe, e vejo que é a mesma amiga que a havia deixado sozinha mais cedo. — A gente precisa ir.

 

— Mas… — Tenta dizer, mas a garota volta a interromper.

 

— É urgente! — Confronta puxando a amiga.

 

A moça misteriosa me olha pela última vez sem reação, antes de ser puxada com força pela amiga. Mas antes que ela entre na multidão, vejo o exato momento em que uma de suas presilhas cai de seu cabelo. Quando dou por mim, vou até o chão para capturá-lo, para que não se perca entre os sapatos dos estudantes. Volto a ficar de pé, porém não há encontro em meu campo de visão, mesmo assim, saiu desviando-me dos presentes que agora dançam freneticamente, mas é tarde demais, ela se foi tão rápido quanto apareceu.

 

Seguro a presilha com força na mão olhando para a rua movimentada em busca de qualquer vislumbre da garota vestida de azul que conseguiu mexer comigo de várias maneiras, e mesmo sem saber seu nome, tenho esperança que ela ainda irá me encontrar amanhã no local combinado. E eu descobrirei finalmente sua real identidade.

 

Capítulo 5 - Emma Steele

 

Eu estava vivendo um sonho! O gosto inconfundível da boca de Mike McCoy ainda estava em mim, as sensações que ele causou em meu corpo enquanto tirava a minha virgindade eram difíceis de descrever, mas como num sonho fui arrancada dele como se um despertador maldito estivesse tocando sem parar. Uma raiva súbita cresceu em mim ao ver Abigail me levando para longe dele, destruindo tudo que finalmente consegui alcançar.

 

— Que porra, Abigail! — Solto-me da mão dela, já bem distante do casarão. — O que aconteceu? Por que estamos correndo? Por que você me afastou dele? Caramba, quando eu finalmente consigo… 

 

— Temos uma emergência! — responde sem rodeios, pegando no meu braço de novo.

 

— Me explica, o que aconteceu! — grito me desvencilhando dela.

 

— Vamos pro carro agora, Emma! — ordena apontando para o veículo vermelho.

 

— Por quê?

 

Abigail respira fundo antes de finalmente abrir a boca.

 

— A gente trocou nossas bolsas na entrada, então seu telefone começou a tocar e percebi na hora que estava com a bolsa errada. Eu atendi, e era do hospital…

 

— Como assim do hospital? — pergunto nervosa arrancando a máscara do meu rosto.

 

— Seus pais, amiga… — Ela busca fôlego desfazendo-se da máscara também. — Seus pais sofreram um acidente de carro.

 

O meu mundo desaba no mesmo instante. 

 

Mal sinto minhas pernas e vou ao chão. Meus olhos enchem de lágrimas em questão de segundos, e um grito de horror sai por minha garganta seguido de um choro sofrido. Minha visão se torna um borrão. As mãos de Abigail me acalentam, antes de me puxar para um abraço.

 

— Vou te levar pra lá, Emma. — Tenta me confortar, mas é em vão. Meu coração se aperta cada vez mais no meu peito.

 

— O-onde eles so-sofreram esse acidente? — gaguejo em busca de qualquer informação. — Co-como é o estado d-de saúde deles?

 

— Foi na Rota 441.

 

— Essa rodovia é aqui perto… — Então a ficha cai, essa rota é a que eles pegam pra vir de Miami para Gainesville, eles estavam vindo aqui para me ver. — Não, não, não…

 

— Calma amiga, respira fundo. Preciso que você seja forte. — Os olhos marejados de Abigail revelam o quão preocupada ela está. — Vamos, levante-se, eu sei qual hospital eles foram levados, vou te levar até eles.

 

Busco forças para levantar do chão e seguir para o carro da minha amiga. Mas a minha mente continua nebulosa demais. Eu disse aos meus pais que eles não precisavam vir, que eu ia até eles assim que pudesse, mas eles não me ouviram.

 

Quando me dei conta, Abigail já estava na estrada rumo ao hospital onde meus pais estão internados. Em nenhum momento parei de chorar, enquanto a sensação de desespero aumentava em meu peito. Rezo em silêncio para que tudo esteja bem, que tenha sido um susto.

 

— Apenas um susto… — murmuro.

 

Assim que chegamos ao hospital, mal deixo o carro estacionar e corro em direção à área de atendimento do pronto-socorro.

 

— Por favor, meus pais, Helen e Roman Steele, me informaram que eles estavam aqui, preciso saber sobre o seu estado, sou a filha deles — digo desesperada para a mulher que atende do outro lado da mesa. Acostumada a receber aquele tipo de tratamento, responde secamente para aguardar até ela localizar no sistema.

 

Apavorada, olho para a televisão na recepção que está no canal Fox News e me deparo com a notícia de uma batida de um carro e um caminhão na Rota 441 no início daquela noite. Levo a minha mão à boca e grito quando vejo o estado do carro, reconhecendo o mesmo modelo dos meus pais. Abigail finalmente aparece ao meu lado e envolve o braço ao redor dos meus ombros, também vidrada na TV.

 

— Senhorita Steele? — escuto uma voz masculina chamar meu nome e me viro em sua direção, encontrando um policial.

 

— Sou eu — informo, quase sem fôlego.

 

— Sou o policial Marshall, fui o responsável por acompanhar o caso dos seus pais até este hospital — diz encarando-nos com seriedade.

 

— Como eles estão? — engulo em seco. 

 

— Senhorita Steele, sinto em comunicar que seu pai veio a óbito no local do acidente e sua mãe estava em estado grave, mas no caminho pra cá… — Ele começa a relatar, mas um forte zumbido faz com que eu não ouça mais nada.

 

Sou sugada pela minha memória, relembrando da ligação que fiz ontem avisando os meus pais que eu não conseguiria ir até Miami neste fim de semana devido aos estudos, só que na realidade era por conta de uma festa. Uma. maldita. festa.

 

Já fazia um tempo que eu estava devendo a ida até a minha casa para visitá-los, era uma viagem longa até lá e eu posterguei isso. Agora era tarde demais, eu os perdi, para sempre. 

CONTINUA...

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Um conto de fadas moderno entre um irresistível quarterback e uma jovem cientista virgem.

 

Emma Steele é uma dedicada estudante de química cujo maior sonho é se tornar uma grande cientista para ajudar as pessoas. Apaixonada pela cultura asiática e nerd de carteirinha, a inocente universitária nutre um crush pelo popular quarterback, Mike McCoy, mas a sua timidez a impede de revelar seus verdadeiros sentimentos.

 

No entanto, um baile de máscaras surge como a oportunidade perfeita para Emma se libertar de suas inibições. 

 

Mike McCoy é herdeiro de um magnata do esporte e seu maior objetivo é entrar para a Liga Nacional do Futebol Americano. Cobiçado pelas mulheres, nunca imaginou que se veria encantado com uma virgem misteriosa.

 

Nessa noite encantada, o encontro entre os dois se revela marcante e intenso. Porém, um evento inesperado os separa, deixando apenas um modesto acessório como pista de sua conexão.

 

Completamente rendido pela jovem mascarada, Mike deseja mais do que tudo reencontrar a sua Cinderela, sem imaginar que ela possa estar grávida. 

 

Movida pelo medo de ser rejeitada ou ser acusada de interesseira, Emma decide manter em sigilo a verdade sobre o futuro bebê do irresistível bad boy.

 

Ela será capaz de manter esse segredo?

Livro disponível na Amazon por R$ 1,99 ou de graça pelo Kindle Unlimited

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